A questão é que chamar isso de mudança em "vogais" faz parecer mais simples do que o que realmente está acontecendo. Baleias-cachalote não têm vogais como a gente - elas produzem cliques e codas que funcionam mais como ecolocalização misturada com comunicação. O que os pesquisadores descobriram é que elas ajustam a frequência e o tempo desses sons em rotas de navios mais barulhentas, tipo quando você muda o tom de voz se alguém está tocando música alta perto de você. Então sim, elas estão se adaptando, mas é exatamente aí que está o problema. Adaptação requer esforço, e esforço requer energia que elas prefeririam gastar na caça ou na criação dos filhotes.
O problema real que ninguém parece conversar muito sobre é que essa adaptação pode funcionar bem no curto prazo, mas acumula estresse com o tempo. Se uma baleia está constantemente ajustando sua produção vocal porque tem um navio cargueiro passando pelo seu território a cada poucas horas, isso não é uma inconveniência casual - é como alguém interrompendo suas conversas o dia todo. Elas podem parecer "bem" no momento, mas a interrupção repetida se acumula. As baleias não estão falhando em se comunicar; elas estão apenas trabalhando mais para o mesmo resultado, e isso as esgota.
Tem uma coisa prática que poderia ajudar mas fica ignorada: ajustar as rotas de navegação ou as velocidades dos navios em corredores conhecidos de migração de baleias durante a estação de pico reduziria a pressão sobre elas para se adaptarem constantemente. Não é sobre eliminar navios completamente - é só roteirizá-los com mais inteligência. Navios mais lentos também fazem menos barulho, o que, sinceramente, deveria ser óbvio só pela eficiência de combustível mesmo. Mas a maioria das rotas é otimizada para velocidade e lucro, não pelo fato de que mamíferos marinhos basicamente estão vivendo em uma zona de construção submarina.