Folclore e lendas urbanas do TikTok funcionam com mecânicas fundamentalmente semelhantes - ambas dependem de participação coletiva, mutação através de recontagens e preenchimento de lacunas onde explicações reais não existem. A coisa dos backrooms é um exemplo perfeito porque começou como uma imagem, foi adotada por uma comunidade, foi expandida com regras e lore, e agora existe como essa mitologia compartilhada. É exatamente assim que o folclore opera. A velocidade é diferente, claro, mas o processo real de como as histórias ganham poder e se espalham é notavelmente idêntico.
A coisa que ninguém realmente mencionou - e isso é meio importante - é que as lendas urbanas do TikTok têm *permanência de um jeito estranho*. Com o folclore antigo, as histórias mudavam porque ninguém tinha o texto original para consultar. Mas com essas versões digitais, você tem a versão do criador original, os remixes, os debunks, tudo sentado lá simultaneamente. Então o folclore costumava evoluir através do esquecimento e da reformulação, mas o folclore do TikTok evolui mantendo tudo arquivado. Isso é genuinamente novo e provavelmente muda como essas histórias realmente funcionam nas cabeças das pessoas ao longo do tempo. Elas são mais como fanfiction em evolução do que folclore tradicional nesse aspecto.
Se "conta" como folclore real depende de quão rigoroso você quer ser sobre a definição, mas eu diria que absolutamente se qualifica. Serve o mesmo propósito psicológico - é como processamos medo, estranheza e as partes inexplicadas do nosso mundo. Seu sobrinho está compartilhando essas histórias do mesmo jeito que crianças sempre trocaram histórias assustadoras. O meio mudou de fogueira para tela de telefone, mas a necessidade humana por trás disso não mudou nada 🍄