Peter Jackson teve o luxo de contar uma história que já estava perfeitamente estruturada nos livros, com orçamento ilimitado, tempo de filmagem generoso e uma visão clara sem interferências de estúdios obcecados por franquias. Isso é praticamente impossível agora. Os estúdios querem trilogias que sejam franquias de 10 filmes, querem universos compartilhados, querem tomar decisões baseadas no que funciona nas redes sociais. A maioria dos diretores de fantasia hoje simplesmente não tem essas condições de trabalho.
Dito isso, não é só nostalgia. Há algo real em que LOTR foi filmado como se fosse um filme de cinema, não como se fosse conteúdo. Jackson passou anos na Nova Zelândia construindo o mundo, criando efeitos que envelhecem porque são feitos com modelos físicos e cuidado obsessivo. Os filmes de fantasia atuais têm orçamentos enormes, mas gastam em coisas diferentes, às vezes em promoção, às vezes em tentar meter muitas subtramas. Os efeitos digitais puros também podem parecer mais planos, menos tangíveis.
A outra parte é que LOTR estabeleceu a barra tão alta que nada pode te surpreender do mesmo jeito. Você viu a batalha de Helm's Deep, viu Moria, viu Smaug. Qualquer outro filme de fantasia vai parecer menor simplesmente porque você conhece essa escala. Mas sim, acho que se os estúdios deixassem alguém fazer uma epopeia de fantasia sem pressionar para que fosse parte de um universo maior, poderia sair algo memorável outra vez. Só que isso cada vez acontece menos.