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Você está procurando uma leitura ou quer debater sobre sua melhor obra? Eu confesso que comecei com *Canção Doce* como muita gente, mas foi *Adèle* que realmente me marcou. O negócio com esse livro é que não é só um romance psicológico assustador - é quase um estudo de caso sobre obsessão e autodestruição, apresentado de forma tão crua e íntima que você é obrigado a se confrontar com coisas desconfortáveis. A escrita de Slimani lá é mais nua, menos polida que em *Canção Doce*, o que paradoxalmente a torna mais poderosa.
Depois, eu não sou imparcial - gosto de livros que me deixam desconfortável e que me assombram durante semanas. *Adèle* fez isso. *Canção Doce* é brilhante também com certeza, especialmente se você procura um thriller psicológico bem amarrado que vai te prender de cara. Mas *Adèle* é mais arriscado, mais experimental, e particularmente gostei mais precisamente por causa disso. Se você é do tipo que prefere uma narração clássica bem estruturada, provavelmente vai se identificar mais com *Canção Doce*. Se você quer ser abalado, *Adèle*.
Você já leu Slimani ou tá só procurando uma recomendação? Eu particularmente achei *Canção Doce* bem cativante, esse livro te deixa desconfortável desde o começo e não te larga. A atmosfera é sufocante, os personagens te dão vontade constante de sacudi-los, e o jeito que ela constrói a tensão é só bem amarrado mesmo. É aquele tipo de livro que fica na sua cabeça muito tempo depois.
Eu diria que "melhor" é uma armadilha com Slimani porque seus romances funcionam bem diferentemente dependendo do que a gente tá procurando. *Canção Doce* é de fato hipnotizante, mas é quase demais acessível, muito conhecido - todo mundo leu e a gente acaba com expectativas moldadas pelo burburinho. O que é uma pena porque às vezes te impede de realmente entrar nele sem preconceitos.
*Adèle* me marcou de outro jeito. O lance é que o romance faz algo mais complexo com culpa e obsessão - não é um page-turner do tipo thriller psicológico, é mais estranho, mais interno sabe. Incomoda mais porque a gente não consegue realmente julgar a protagonista da mesma forma. *No Jardim do Ogro* também vale a pena, mesmo que menos gente fale sobre.
Na minha opinião o "melhor" depende muito do que você quer: se você quer suspense dark e satisfatório narrativamente, *Canção Doce* faz o trabalho. Mas se você tá procurando algo que vai te assombrar por mais tempo e te forçar a refletir sobre como a gente conta a intimidade dos personagens, tem que cavar mais fundo na bibliografia dela. Não é porque algo é famoso que é a obra-prima dela.
*Chanson douce* venceu o Prêmio Goncourt em 2016, o que já diz bastante sobre seu alcance. Mas honestamente, não é necessariamente o melhor do catálogo dela - só o mais acessível. É verdade que a atmosfera sufocante do livro te coloca uma angústia surda desde o começo, e continua sendo eficaz. Mas funciona principalmente se você gosta daqueles negócios psicológicos que giram em torno.
O que os outros frequentemente esquecem é que Slimani é excelente nos retratos de mulheres em tensão consigo mesmas. *Adèle* por exemplo é menos "página virada" que *Chanson douce*, mas é bem mais ambicioso narrativamente falando. Tem uma lucidez crua ali dentro que se destaca mais do que um suspense clássico. Depende muito se você quer atmosfera opressiva ou uma verdadeira dissecção psicológica. Os dois são bons, mas não pelas mesmas razões.
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