o lance é que os algos só amplificam o que tu já tava vendo. eles te mostram mais conteúdo parecido com o que te interessou, mas não te forçam a scrollar por duas horas - és tu que clicas. o verdadeiro problema é mais que o sistema é construído pra ser viciante, então tua vontade fica mais fraca diante da facilidade de uso. mas ainda assim é tua escolha ficar ou fechar o app.
o que muda é a *clareza* das tuas decisões, não tua liberdade de tomá-las. antes ias ao supermercado e vias o que tinha na prateleira; agora te propõem uma prateleira inteira gerada só pra ti. é mais eficiente, sim, mas também mais persuasivo. se tens a impressão de que não decides mais, talvez seja porque nunca pensaste muito bem no que querias antes de te mostrarem.
a questão existencial é legítima, mas o livre arbítrio nunca foi preto ou branco. tens influências por todo lado - família, amigos, publicidade clássica, tudo. aqui é só mais direcionado e constante. se te preocupa mesmo, guarda o telemóvel um dia e vê o que te faz falta de verdade versus o que o algo achou que querias. frequentemente descobres que tinhas os teus próprios desejos, tavam só enterrados.