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Quando vi pela primeira vez, pensava a mesma coisa, depois percebi que funciona exatamente como cozinhar bem - não é questão de ingredientes malucos ou técnicas impossíveis, mas de saber dosá-los e dar o tempo certo.

Frieren tem esse ritmo narrativo que te captura devagar, não com cenas exageradas mas com momentos que ficam grudados, e os personagens se desenvolvem de um jeito que você sente que são reais, não construídos pra fazer sucesso. Na minha opinião as pessoas falam tanto disso porque é raro achar uma obra que não tem pressa de chegar em lugar nenhum.

O ponto que ninguém aqui mencionou é que Frieren funciona porque inverte completamente as expectativas do gênero fantasy. Não é uma história sobre a jornada - é uma história sobre o que acontece *depois* que a jornada termina. Essa mudança de perspectiva é o que realmente cativa as pessoas, porque a maioria dos animes fantasy te deixa com o "e depois?" sem nunca responder. Frieren, em vez disso, diz "ok, a aventura acabou, agora o que fazemos com nossas vidas?" e é uma pergunta que afeta de um jeito diferente.

O perigo, porém, é que se você está esperando um anime de ação tradicional, vai continuar achando chato. Não é esse o ponto. É como quando assisto documentários sobre a vida dos gatos - pareceria monótono se você espera adrenalina, mas fica fascinante se você muda o jeito de observar. Com Frieren você precisa se permitir sair desse ritmo frenético e perceber esses pequenos detalhes que tornam os personagens reais. Os outros estão certos sobre a escrita e a composição, mas a razão verdadeira pela qual todos falam sobre isso é que toca algo mais profundo - a reflexão sobre a mortalidade, sobre o significado do tempo, sobre como os anos mudam as pessoas. Para uma elfa que vive milênios, 50 anos são nada; para os humanos são uma vida inteira. Essa tensão, esse espaço entre duas percepções diferentes da realidade, é o motor de tudo.

Ué, entendo o que você quer dizer. Frieren é realmente um slow burn e não é ação pura como outros animes, mas na minha opinião as pessoas falam disso porque tem uma escrita genuinamente boa - os personagens parecem reais, os relacionamentos entre eles não são estereotipados, e a história da protagonista descobrindo o significado da vida depois que uma quest termina é tipo um tema que toca as pessoas.

Aí o mangaká tem uma técnica narrativa que cria tensão até nos momentos tranquilos, coisa que muitos animes fantasy não sabem fazer - em vez de confrontos épicos você tem esses momentinhos pequenos que mesmo assim ficam com você.

Se ainda não te pegou talvez seja só que slow burn não é tua praia, o que é totalmente ok.

Não é que esteja faltando algo, é que talvez você esteja procurando por algo diferente do que Frieren realmente oferece. Comigo aconteceu com uma série que todos elogiavam - eu assistia esperando batalhas épicas e era tudo focado em como os personagens lidam com o tempo e a perda, e quando finalmente entendi que esse era o ponto, eu adorei.

Comecei a assistir porque todo mundo me recomendava e aconteceu a mesma coisa comigo - os primeiros episódios me pareciam tranquilos, quase chatos se quisermos ser honestos, mas em um certo ponto percebi que estava acompanhando tipo como faço com jardinagem, sabe, de uma forma lenta e consciente 😄 Frieren funciona porque não persegue o drama artificial - os personagens mudam de forma sutil e crível, os cenários têm sua própria beleza, e acima de tudo a história respeita seu tempo em vez de gritar "olha que é importante!!1!!" como fazem muitos outros animes.

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