O ponto mais importante é que as crateras lunares se tornaram estratégicas para os planos de assentamento humano - não é apenas curiosidade científica. As agências espaciais procuram zonas específicas: crateras em sombra permanente onde há depósitos de gelo de água, o que significa tanto água para beber quanto combustível potencial (o hidrogênio). Sem isso, trazer tudo da Terra seria economicamente impossível. Então os últimos anos viram uma aceleração nos estudos porque finalmente as tecnologias de mapeamento em alta resolução permitem identificar esses sítios com precisão, coisa que antes não era viável.
Há também considerações de segurança que ninguém enfatiza o suficiente. As crateras em certas zonas oferecem proteção contra radiação solar, e algumas áreas permanecem em sombra por meses, o que é útil para estabelecimentos permanentes. As agências não estão falando de "vamos para a Lua para explorar" como nos anos 70 - é mais "onde conseguimos construir uma base que funcione de verdade". Estudos específicos sobre composição do solo, temperaturas internas das crateras, traços de voláteis: tudo isso serve para decidir não se voltar, mas onde e como.
Some-se ainda que não é só competição entre agências mais. Índia, China, Emirados Árabes Unidos, Europa - todos lançaram orbitadores lunares nos últimos anos e todos querem mandar rovers nos próximos. Quando tantos atores simultaneamente se concentram no mesmo objetivo, a mídia fala mais sobre isso. É como quando todos os fabricantes de smartphones lançam o mesmo tipo de câmera melhorada - vira um tópico de conversa maior.