Os pântanos desaparecem porque os incentivos estão completamente desalinhados. Um proprietário ou desenvolvedor vê lucro imediato ao converter um pântano em terra agrícola ou um shopping, enquanto os serviços ecossistêmicos que o pântano oferece - amortecimento de enchentes, filtragem de água, armazenamento de carbono, viveiros de peixes - não aparecem no balanço de ninguém. Os governos permitem isso em parte porque esses benefícios ambientais são genuinamente difíceis de monetizar e comparar com projetos de desenvolvimento concretos que geram receita tributária e empregos. Há também frequentemente apenas uma aplicação deficiente das regulamentações existentes, especialmente em regiões com supervisão ambiental limitada.
Uma armadilha que as pessoas ignoram: a restauração é muito mais difícil e cara do que a prevenção. Você consegue drenar um pântano em uma estação, mas recriar um leva décadas, custa milhões e muitas vezes não recupera completamente o ecossistema original. Então quando as pessoas apontam restaurações bem-sucedidas como prova de que podemos consertar isso, é verdade mas incompleto - ainda é muito mais barato proteger o que existe. Dito isso, existem vitórias: a restauração dos Everglades na Flórida fez progresso real depois de começar nos anos 1990, e alguns países europeus tiveram sucesso ao reabastecer terras agrícolas. A diferença chave nesses casos é que os governos realmente se comprometeram com financiamento sustentado e proteção regulatória, o que é raro globalmente.
O ângulo prático é que a proteção de pântanos funciona melhor quando há proteção legal com dentes, quando as comunidades locais têm interesse na preservação (como através da receita do ecoturismo), e quando há vontade política suficiente para resistir à pressão de desenvolvimento imediata. Alguns países tiveram mais sorte ao integrar a proteção de pântanos em marcos de planejamento mais amplos em vez de tratá-la como um afterthought. É frustrante lento, mas acontece.