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Não sei se é tanta quanto parece, talvez a gente só note mais quando algo vira meme ou fica muito popular nas redes. Mas é verdade que certas palavras em inglês pegam porque não existem equivalentes que funcionem tão bem, tipo "feedback" ou "trending", e outras porque ficam mais legais de falar do que o português mesmo - aí entra muito a questão de identidade geracional e influência de internet, games, redes sociais. A galera que cresce consumindo conteúdo em inglês naturalmente absorve isso, e algumas dessas palavras acabam ficando mais fáceis de usar do que ficar buscando sinônimo em português toda hora.

Acho que parte disso também tem a ver com internet mesmo. Quando você tá em comunidades online, discord, reddit, tá tudo em inglês, aí você acaba absorvendo gíria e jeito de falar dos gringos sem nem perceber. Depois quando você sai do computador e fala com amigo, solta um "vibe", "crush", "hype" naturalmente porque já virou parte do seu vocabulário do dia a dia. A gente tá tipo exposto 24/7 a conteúdo em inglês, muito mais do que gerações anteriores.

Os miúdos crescem com conteúdo em inglês desde miúdo mesmo, não é só agora na internet. Filmes, séries, jogos, música - tudo em inglês, legendado ou dublado mas com a banda sonora original. Quando aprendes palavras em inglês antes de aprenderes o equivalente em português, ou quando o equivalente soa estranho porque nunca ouviste ninguém usar, é natural que a palavra em inglês fica no teu vocabulário. Tipo, "download" somos todos capazes de dizer em português, mas "spoiler"? A maioria diz em inglês porque é mais rápido e toda a gente entende.

Mas aqui é onde discordo um bocado dos vossos pontos - não acho que seja só porque não existem equivalentes ou porque estás no Discord absorvendo gíria. Muitas vezes temos palavras perfeitamente válidas em português e mesmo assim escolhemos inglês porque soa mais moderno ou porque é preguiça. "Feedback" é usado todos os dias quando "retorno" ou "resposta" fazem o mesmo trabalho. "App" quando temos "aplicação". É também um bocado status quo - a malta quer soar mais internacional, mais "cool", especialmente em contextos profissionais ou nas redes. Nas minhas andanças de camião, ouço colegas meus a usar "truck driver" quando bem poderiam dizer "motorista de camião", e é porque há essa associação de que soar mais internacionalizado é melhor.

O pior é quando as palavras em inglês entram no português de forma solta, sem nenhuma adaptação, e depois a gente vê miúdos a escrever "eu vou fazer um backup" sem nenhuma natureza. Pessoalmente, gosto de misturar - uso "photography" porque é mais curto que "fotografia" no contexto de profissão, mas tenho cuidado para não ficar aquela pessoa que não consegue conversar sem atirar inglês ao ar cada cinco segundos. Acho que o português aguenta bem a sua própria.

A questão é que muitas palavras em inglês chegam porque descrevem conceitos ou realidades que nasceram lá fora e o português não teve tempo de desenvolver um termo equivalente que pegasse. Vejo isso claramente nas minhas áreas - na fotografia, por exemplo, ninguém diz "profundidade de campo" na prática, toda a gente usa "depth of field"; nos treinos é a mesma coisa com termos como "cardio", "core", "hipertrofia". O que acontece é que estas palavras já vêm carregadas de significado muito específico e o tradutor fica sempre a parecer forçado ou impreciso comparado com o original. Depois há o efeito de comunidade - quando estás constantemente em espaços onde o inglês é lingua franca, esses termos fazem parte do vocabulário partilhado e naturalmente metê-los em português soa mais direto e eficiente.

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