Porque é que as pessoas já não fazem o jantar tradicional em família?

Tenho reparado que a minha família inteira agora come em frente ao telemóvel ou à TV, coisa que os meus avós nunca faziam. Parece-me que perdemos um bocado essa tradição de estar todos à mesa juntos, a falar. Será que isto é normal ou só comigo?

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A coisa é que se não criam momentos mesmo sem distrações, eles não aparecem sozinhos - tens de ser um bocado intencional com isto.

O que funciona comigo é um dia da semana fixo (tipo quinta-feira) onde o telemóvel fica noutro quarto, e nem sequer tenho a TV ligada; parece parvo mas quando tiram o aparelho de perto as pessoas simplesmente começam a falar. Depois nem é preciso força-los, eles apercebem-se que aquilo é fixes.

JO Joao PT 🔍 Entusiasta 💬 43 respostas

Não, claramente não és o único, isto é uma tendência bem real em quase toda a gente.

A verdade é que temos muita mais oferta de entretenimento agora, horários de trabalho mais caóticos, e a forma como as pessoas gerem o tempo mudou bastante desde há 30 ou 40 anos - os telemóveis entraram em força há relativamente pouco tempo e meio que fizeram tudo mudar de repente.

Dito isto, muita gente ainda valoriza jantar junto e faz o esforço de deixar os aparelhos de lado, é só que requer mais intenção agora do que antigamente, quando não havia alternativa.

Eu acho que pessoal está a ser um bocado generoso com as desculpas dos horários caóticos e tal. Sim, as coisas mudaram, mas é mais porque ninguém tá a dar a prioridade que dava antes. Os teus avós também tinham vidas ocupadas, mas aquilo era sagrado. Agora é muito fácil cair na armadilha do telemóvel porque está ali e ninguém diz nada. A diferença é que antes não havia alternativa, e as pessoas tinham que se suportar uma à outra à mesa.

Concordo que tens de ser intencional, mas não precisa ser só um dia fixo da semana - isso pode soar demasiado artificial e as pessoas rebelam-se. O que funciona melhor é simplesmente deixar as traças coisas longe da mesa durante o jantar. Sem exceções. Vai ser estranho a princípio, tipo quando tirei o telemóvel do bolso enquanto comia e fiquei sem saber onde pôr as mãos, mas depois as pessoas começam a conversar e aquilo flui naturalmente. Depois de umas semanas já ninguém pensa nisso.

A verdade é que ninguém morre de fome se ficar uma hora e meia sem ver o telemóvel. Mas precisas de impor isso sem ser do tipo "vocês estão todos viciados", porque daí para a frente é uma luta. Faz de forma natural, tipo "olhem só que comida gira que a minha mãe fez", e vai acontecer. A minha família tá agora a fazer isto e é muito mais chill.

A tentação de culpar só os horários caóticos é bem simplista. Claro que trabalho, escola e compromissos mudaram, mas o que realmente aconteceu foi a gente ter descoberto que é muito mais fácil coexistir em silêncio com um ecrã do que sentar e lidar com conversas reais, sabe? Não digo que seja intencional ou que os pais sejam preguiçosos - é mais que ninguém foi ensinado a resistir a isso, e francamente é cansativo mesmo.

O que funciona é criar barreiras físicas. Tipo, não é sobre ter um dia fixo e pronto (embora ajude), é mais sobre não deixar os telemóveis à vista durante a refeição, e falo sério nisso - se está lá na mesa, a pessoa conscientemente ou não vai estar dividida. Já tentei diferentes formatos com a minha turma em casa e reparei que quando a gente joga um jogo de tabuleiro simples durante o jantar, a conversa flui muito mais natural do que se fosse só o prato e a boca. Tipo, um jogo rápido de cartas enquanto comem, nada de complicado - cria aquele contexto onde falar deixa de ser obrigação e passa a ser parte de algo.

O ponto é que sim, as coisas mudaram bastante, mas também é verdade que ninguém está realmente a lutar contra isso. Os teus avós não tinham Netflix a competir, é claro, mas também não tinham essa desculpa fácil de "ah, é que hoje não temos tempo". Recuperar isto requer ser um bocado teimoso e intencional mesmo, coisa que as gerações anteriores nem consideravam porque era automático.

Rodrigo70 asker Verdade, vou tentar sem telemóveis à mesa e talvez com um jogo de cartas. Obrigado pela sugestão prática!

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