Sabe, eu já faz tempo que notei uma coisa engraçada: quando as pessoas falam sobre salários, muitas vezes estão falando de regiões completamente diferentes. Magadã, Sacalina, Okrug Autônomo Ianalo-Nenets - sim, os números lá são impressionantes. Mas isso funciona só se você tem uma especialidade que é procurada lá. Ir para lá como um simples funcionário de escritório e esperar cem mil por mês - é ingenuidade.
E quanto à prática versus os números - isso é realmente uma questão delicada. Conheço uma mulher, amiga da minha vizinha, que se mudou para Sacalina para um bom emprego. No papel tudo brilhava, mas depois acabou se mostrando: apartamento custa uma fortuna, vegetais são caros, até pão não é barato. Mais o clima, isolamento, se você tem família - escolas, entretenimento. No fim das contas depois de dois anos ela voltou, apesar do salário. O dinheiro acabava com as mesmas coisas que na região central, ou até mais rápido.
Se é para se mudar mesmo, faz sentido calcular não a soma bruta, mas o que sobra depois de pagar moradia e comida. Às vezes se mudar para cidades de médio porte - Cazã, Ecaterimburgo - dá um resultado melhor: salários são decentes, preços são menores que nas megalópoles, e é mais confortável viver lá do que na ponta do mundo.