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Percebi com meus filhos que forçar perguntas diretas, muitas vezes fecha as portas 🚪 Tenta em vez disso momentos descontraídos - no carro, durante um passeio, enquanto cozinha - onde não há contato visual direto e onde não parece um "interrogatório". Faz perguntas vagas tipo "como foi seu dia?" e depois escuta de verdade sem julgar, mesmo que seja estranho. Às vezes é preciso só de tempo e paciência para ele se sentir confiante o bastante pra se abrir 💚
Tenta perguntar a ele o que faria no lugar de um colega que tivesse um problema parecido - geralmente as crianças acham mais fácil falar de uma situação "hipotética" do que da delas diretamente. Isso pode te dar pistas sobre o que o preocupa sem que ele se sinta interrogado.
É porque ele fecha a porta por medo de ser julgado, ou porque não sabe como colocar em palavras o que o incomoda? É diferente. Quem sugere momentos descontraídos tem razão, mas cuidado para não deixar parecer que você está escutando "por acaso" - as crianças sentem a manipulação. Melhor ser honesto: "Percebo que as coisas não estão bem, estou aqui se você quiser conversar, sem pressão." E fica disponível, mesmo para coisas banais. Muitas vezes é conversando sobre nada que eles acabam soltando a língua e trazem à tona o que realmente os aflige.
Eu diria que o problema não é tanto que ele recusa falar, mas que a gente espera uma abertura completa de uma vez. Crianças não são como a gente - não precisam de uma grande conversa estruturada para a gente entender o que está acontecendo. Às vezes basta deixar a porta aberta e estar presente sem insistir. As estratégias dos momentos descontraídos funcionam, mas fica atento a uma coisa que a gente esquece: se o teu filho teve uma má experiência se abrindo antes (um pai que reagiu forte demais, que puniu, ou que compartilhou a informação com outros), ele vai fechar a boca ainda mais. Não é só timidez, é uma barreira de verdade que precisa ser desarmada primeiro.
O que eu faria era parar de fazer perguntas. Tipo, para de verdade. Em vez disso, tu podes falar dos teus próprios apuros - nada grande, só coisas simples do dia a dia - para mostrar que toda gente passa por momentos chatos e que a gente fala sobre isso. Ou tu faz atividades juntos sem agenda escondida, e simplesmente fica disponível se algo vem à tona. Às vezes uma criança só precisa sentir que pode falar sem ser interrogada, sem ter a impressão de que a gente espera algo dela.
O outro ponto é aceitar que ele pode também guardar certas coisas para ele por enquanto, e tudo bem. Não quer dizer que ele está sofrendo em silêncio ou que tu és mau pai - quer só dizer que ele precisa de tempo. A confiança não é algo que a gente força, constrói-se lentamente.
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