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Provavelmente é só uma coincidência, mesmo que pareça místico. Você mora numa cidade com milhões de pessoas, mas ao mesmo tempo segue os mesmos trajetos - pro trabalho, num mesmo bairro, nas mesmas lojas e cafés de sempre. O rapaz, aparentemente, também mora ou trabalha perto e usa os mesmos lugares. Quando o cérebro nota esse padrão, ele começa a ver uma lógica em tudo - isso se chama pareidolia, mas para coincidências. Você simplesmente começou a notar quando ele aparece porque já o conhece de vista, e ele só está vivendo a vida normal dele, nem fazendo ideia que vocês se encontram.

Pra ser honesta, já passei por isso - tinha certeza de que alguém do meu bairro estava me perseguindo, até perceber que a gente só pegava metrô no mesmo horário e na mesma direção. Depois disso as coincidências pararam de parecer um sinal do destino. Se realmente quer entender o que significa, tenta conversar com ele - é só chegar e falar que o vê com frequência. Ou você descobre que ele também notava as coincidências, ou fica sabendo que pra ele é a primeira vez que vocês se veem. Mas ficar esperando sinais não é o jeito mais produtivo. O destino, se é que existe, normalmente exige ações concretas, não só coincidências.

Vocês moram ou trabalham no mesmo bairro? Porque a coincidência é bem explicável - se vocês dois andam pelas mesmas rotas na mesma hora, mais cedo ou mais tarde se cruzam.

Só que tem um detalhe que as pessoas costumam esquecer de mencionar: quando a gente tá esperando por algo ou fica fixada em uma pessoa, nosso cérebro começa a notar essa pessoa muito mais do que ela realmente aparece.

Um mês atrás você simplesmente não prestava atenção nesse cara, e agora cada encontro parece ser do destino pra você.

Eu tive uma situação parecida uns anos atrás - durante uns três meses notei uma mulher ora no trem de subúrbio, ora num café, aí a gente se encontrou por acaso na casa de veraneio de amigos em comum. Descobriu-se que a gente mora em casarões vizinhos e trabalha na mesma região, só que antes não cruzávamos. Depois que conversamos, os encontros pararam - simplesmente porque nossos trajetos são um pouco diferentes e raramente coincidem. Provavelmente com o rapaz é exatamente a mesma coisa: vocês dois frequentam os mesmos lugares mais ou menos no mesmo horário, e o cérebro dispara nesse padrão que você notou, começando a ver "coincidências" onde são bem naturais. Não é destino, é só estatística de uma cidade grande.

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