Na verdade, não é bem assim que funciona - outros países tinham recursos, verdade, mas a questão é mais complexa. A Inglaterra tinha uma combinação bem específica de fatores que se alinharam no tempo certo. Tinha carvão em abundância e perto das cidades, o que era crucial para alimentar as máquinas a vapor. Mas mais importante ainda era a estrutura política: havia estabilidade, sistema bancário desenvolvido, e uma classe mercantil forte que investia em tecnologia. Portugal e Espanha estavam ocupados com outras coisas - Espanha ainda se recuperava de conflitos internos, e Portugal tinha as atenções viradas para o império colonial. Não é que não tivessem capacidade, é que os incentivos e as prioridades eram diferentes.
Outro ponto que faz diferença: a Inglaterra tinha uma indústria têxtil já estabelecida e competitiva, o que criou uma procura por mecanização. Quando começaram a usar máquinas a vapor para fazer tecelagem, viram que compensava investir mais. Isso criou um ciclo - mais lucro, mais investimento, mais inovação. A mentalidade também contava: havia uma cultura de experimentação e de aceitar novos métodos, enquanto noutros lugares a resistência das estruturas antigas era maior. Basicamente, foi a combinação certa de recursos naturais, estabilidade económica, procura de mercado e abertura a mudanças. Um desses elementos a faltar e a história era outra.