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É principalmente por causa da inflação geral nos custos de produção e transporte, mais as condições climáticas que prejudicaram as colheitas orgânicas em várias regiões. Os produtores orgânicos têm menos margem de manobra do que os convencionais para absorver esses custos, então isso se reflete direto no preço da loja.

Não é só a inflação geral que está por trás disso. O negócio é que o bio tem margens muito mais apertadas do que as pessoas imaginam. Os produtores não ficam ricos, longe disso. Quando os custos de insumos (sementes certificadas bio, fertilizantes orgânicos) explodiram, e os rendimentos caíram por causa do tempo, não tem jeito de compensar vendendo mais - tu colhe menos de qualquer forma. Isso cria uma pressão real nos preços finais.

O outro fator que a gente costuma esquecer é que a demanda caiu. Durante a covid, todo mundo queria bio. Agora que as pessoas estão apertando o cinto, muita gente volta aos produtos convencionais. Aí os produtores vendem menos volume mas com os mesmos custos fixos (terra, equipamento, certificações). É um cálculo simples: menos vendas = obrigação de cobrar mais em cada produto para sobreviver.

Sinceramente, é também um problema de distribuição. As grandes cadeias mexem nas margens como conseguem, os pequenos produtores não têm acesso aos mesmos circuitos que os grandes. Então sim, inflação e tempo sim, mas é mais complexo que só « os custos subiram ». O mercado bio contraiu ao mesmo tempo que os custos aumentavam, e é isso que cria essa espiral de preços mais altos.

Uma coisa que a gente esquece bastante é que as certificações orgânicas custam muito caro para os produtores e esses custos aumentaram ainda mais com a demanda crescente de verificações! Então mesmo uma colheita ruim vira uma catástrofe financeira quando você tem despesas fixas gigantescas para pagar.

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