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Não cai na pegadinha de achar que os discos recentes do Coldplay ainda têm aquele rock alternativo de verdade! Os melhores pra você são com certeza o *Parachutes* e o *A Rush of Blood to the Head*, que têm aquele som mais cru, melódico mas pesado, bem diferente da molecagem pop que virou depois. Se quiser expandir um pouco mais, *X&Y* ainda guarda um pé no rock alternativo, mas depois disso eles foram pro lado mais pop mesmo. Começa pelo *Parachutes* que é simplesmente bom demais!
Discordo que tenhas de ficar limitado aos primeiros dois discos - o *X&Y* tem uns riffs guitarristas brutais que muita gente ignora, especialmente nas faixas mais densas. Depois disso é que realmente descem para pop puro, mas esses três primeiros têm muito rock alternativo legítimo.
Tens de ter cuidado com uma coisa que ninguém referiu: o *X&Y* é tecnicamente rock alternativo, mas é quando começam a soar mais polidos e menos crus. Se o que tu procuras é mesmo aquele som áspero e a energia desorganizada que faz o rock alternativo ser rock alternativo, pode ser que já seja um passo atrás do que queres. O *Parachutes* e o *A Rush of Blood to the Head* têm esse nervosismo todo, é verdade, mas há um pormenor: o segundo disco é onde a produção já é mais cuidada, enquanto o primeiro é quase cru demais em comparação.
O que talvez valha a pena é veres o *Viva la Vida or Death and All His Friends* com olhos diferentes - muita gente acha que é pop demais, mas tem temas que ainda mantêm aquela densidade de guitarra e aquela melancolia que faz bem. Depois disso, tens toda a razão em não procurares mais rock alternativo no Coldplay, porque entram definitivamente noutro registo.
No fundo, se vens de outras bandas de rock alternativo mais agressivas, os dois primeiros discos do Coldplay podem parecer-te até um bocado demasiado melódicos. Tudo depende do que esperas exatamente: se é guitarra crua e bateria simples, é *Parachutes* sem hesitar. Se preferes composições mais complexas dentro desse som alternativo, o segundo tem mais profundidade.
*Parachutes* e *A Rush of Blood to the Head* são realmente o pico se você quer aquele alternativo bruto e despolido, mas não ignore a produção do *X&Y* - é mais clean, sim, mas os arranjos de guitarra ali são bem mais ambiciosos que parecem à primeira escuta. O perigo é achar que depois disso não vale a pena, quando na real o gosto por Coldplay muda mais pela evolução natural da banda do que por qualidade em si.
Acho que o pessoal está a focar-se demais no *X&Y* quando na verdade o *Viva la Vida or Death and All His Friends* é um disco criminalmente subestimado para quem quer rock alternativo! Tem aquela energia crua que os anteriores tinham, mas com uma produção que não é tão polida quanto os trabalhos mais recentes - é como o melhor dos dois mundos. Depois desse disco é que realmente começam a perder-se na produção mais pop, por isso se gostaste dos primeiros dois, experimentar este pode ser uma surpresa positiva!
Se você tá procurando alternativo mesmo, pula direto o *Viva la Vida* pra frente - ali a banda entrou num modo bem mais pop e orquestral. Agora, um detalhe que ninguém mencionou: *Parachutes* tem essa qualidade meio lo-fi que funciona muito bem pra alternativo, mas *A Rush of Blood to the Head* é onde as músicas têm mais estrutura e os vocais do Chris Martin ficam mais afiados, tipo em "The Scientist" e "Clocks" - mantém aquele peso sem ser manjado. Se você curte mesmo guitarra crocante e menos polimento, esses dois primeiros resolvem.
Acho que o problema é colocares rock alternativo numa caixa muito fechada - depende mesmo se procuras aquele som cru dos primeiros álbuns ou se tás aberto a explorar como a banda evoluiu dentro do género. Um truque que ninguém mencionou: experimenta ouvir os EPs e B-sides daquela época, especialmente do período entre *Parachutes* e *X&Y*, porque ali encontras versões mais ásperas das mesmas canções que aparecem polidas nos álbuns finais. Se começares por *A Rush of Blood to the Head* mas depois pulares direto para as faixas menos conhecidas do *X&Y* (tipo "The Hardest Thing for Me to Say"), consegues perceber melhor por que é que a produção mudou sem perderes completamente aquele espírito alternativo.
Presta atenção nisso: muita gente que curte rock alternativo acaba pulando pro *Viva la Vida* e os discos posteriores achando que é continuação natural, mas é justamente onde o som fica mais pop e menos guitarrista. Se você quer aquele alternativo mesmo, com textura bruta e presença de guitarra que realmente importa, os primeiros três discos são onde tá a resposta: *Parachutes*, *A Rush of Blood to the Head* e *X&Y*. A diferença é que os dois primeiros têm aquele aspecto mais cru, enquanto *X&Y* traz a mesma energia mas com produção mais polida.
O detalhe que faz diferença é entender que dentro desses três, você tem fases. *Parachutes* é mais minimalista, quase indie rock mesmo, com arranjos enxutos onde cada nota de guitarra respira. *A Rush of Blood to the Head* expande isso mantendo a densidade - é ali que o Chris Martin consegue fazer baladas que são realmente pesadas, tipo "Green Eyes" e "The Scientist", sem perder o crunch das cordas. Depois vem *X&Y*, que continua com riffs interessantes mas começa aquele processo de limpeza sonora que só piora nos álbuns seguintes.
Se seu gosto é por alternativo mesmo, comece pelos dois primeiros e explore *X&Y* pra ver onde você fica. Depois disso é realmente quando a banda muda de identidade. Não precisa ignorar o resto da discografia, mas aí você já tá procurando outra coisa que não é rock alternativo puro.
Se você curte mesmo aquele rock alternativo com peso, vale a pena explorar também o *Viva la Vida or Death and All His Friends* - é verdade que tem mais produção pop, mas as bases guitarristas desse disco ainda têm uma densidade que os trabalhos posteriores perderam completamente. Depois disso a coisa fica bem mais etérea e eletrônica, então se você quer tirar o máximo de rock alternativo do Coldplay, fica entre esses três primeiros de forma geral.
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