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sol90 PT 🔍 Entusiasta 💬 28 respostas ⚑

Começa por validar o que ela sentiu sem dramatizar - "isso dói mesmo e é normal ficares chateada" - depois pergunta o que ela gostaria que acontecesse a seguir, em vez de ofereceres soluções logo. Muitas vezes aos 14 anos o que ajuda é sentir-se ouvida, não corrigida. Se continuares a ver que ela se afasta de coisas que gostava, aí sim pode valer a pena conversar com a escola ou procurar ajuda de um psicólogo, mas por agora o mais importante é ela saber que o corpo dela é assunto dela e ponto final.

MA maria1983 BR 🔍 Entusiasta 💬 60 respostas ⚑

Acho que validar é importante, sim, mas tem um detalhe que as vezes a gente esquece: você também precisa deixar claro que isso que as colegas fizeram não é aceitável, entende? Não é só sobre os sentimentos dela serem válidos (que são), é também sobre ela saber que comentários sobre o corpo de outras pessoas são errados. A diferença é sutil mas faz diferença. Uma amiga minha passou por situação parecida com a filha dela, e o que funcionou foi ela ter dito algo tipo "você não merecia ouvir isso, e quem falou foi desrespeitoso mesmo" - não como quem está cobrando uma ação, mas como quem tá do lado dela.

Depois disso, aí sim vale a pena explorar o que ela quer fazer. Pergunta se ela quer contar pra alguém na escola, se quer estratégias pra responder se isso acontecer de novo, ou se por enquanto só precisa que você saiba. E sobre a piscina - esse recuo é importante porque mostra que ela tá evitando situações. Talvez seja bom voltar lá, mas não por pressão. Tipo, "eu entendo que tá desconfortável, mas você merecia aproveitar a aula igual". Vocês podem até planejar como ela se sentiria mais confortável, se é uma questão de roupa, de quando entrar, enfim.

O grande negócio é que aos 14 anos a pressão sobre corpo é absurda mesmo, e a gente tende a achar que é bobagem porque "todo mundo passa por isso". Passa, mas não quer dizer que seja ok normalizar. Ela precisa saber que você acredita que o corpo dela é normal e que quem tá errado é quem fez comentário, não ela.

Quando a miúda recusa-se a fazer algo que gostava antes, isso é um sinal de que precisa de ajuda real, não só de palavras reconfortantes. O que eu faria era sentar-me com ela num momento calmo - sem ser logo a seguir ao incidente, porque aí ela ainda está defensiva - e deixar claro que o que as colegas fizeram foi desrespeitoso e não tem nada a ver com o corpo dela estar "errado". As miúdas desta idade já ouvem por todo o lado que têm de se aceitar a si mesmas; o que elas precisam ouvir é que os outros não têm direito a comentar o corpo delas, ponto final. Depois disso, sim, podes perguntar como ela se sente e o que gostava de fazer.

O complicado é não cair na armadilha de parecer que está tudo bem agora só porque ela falou sobre isso. Eu sugeria também perceber se isto é um comentário ocasional de uma colega ou se é coisa de um grupo inteiro - porque o peso muda muito. Se for um padrão, pode precisar de falar com a escola ou com a tua filha sobre formas de se defender (nem que seja só não estar perto dessas raparigas). E sobre a piscina: não a forces a voltar rapidamente para "superar", mas também não deixes que ela se esconda. Talvez comece noutro sitio ou com pessoas em quem confia, longe dos olhos das colegas.

ferreira1980 PT 🔍 Entusiasta 💬 21 respostas ⚑

O que eu acho fundamental é ela sentir-se segura em casa para falar abertamente, sem medo de que vás resolver tudo por ela ou que a vires como frágil - às vezes os miúdos fecham-se porque têm medo de preocupar os pais. Mantém conversas curtas e naturais sobre isto, tipo no carro ou enquanto fazem algo juntas, porque senta-la formalmente à mesa pode deixá-la ainda mais tensa. E importante mesmo é voltares ao assunto várias vezes, porque numa conversa ela não vai processar tudo de uma vez, especialmente aos 14 anos quando tudo é muito intenso.

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