Um testamento manuscrito tem validade legal mesmo sem cartório, mas apenas sob certas condições. O principal é que o documento contenha a assinatura própria do testador, a data e o local de elaboração. Se tudo isso estiver presente, tal testamento será considerado válido. Porém, é possível contestá-lo se você conseguir provar que seu pai o redigiu sob influência, sob coação indevida, ou que não estava em sã consciência. Além disso, o testamento pode ser contestado se forem descobertas falhas em sua forma - por exemplo, a assinatura ser falsificada ou a data inventada.
Se o testamento for considerado inválido ou se não existir, a herança segue pela lei. Nesse caso, o patrimônio é dividido igualmente entre o cônjuge (sua mãe) e os filhos - ou seja, entre sua mãe e você. Cada um receberá metade. Isso é muito mais justo do que tudo recair sobre uma única pessoa por um documento manuscrito de autenticidade duvidosa.
Para esclarecer especificamente seu caso, você precisa mostrar o testamento a um advogado - melhor ainda consultar dois, para obter opiniões independentes. O especialista analisará a caligrafia, a data, as condições em que foi escrito e dirá o quanto o documento é vulnerável a contestações. Se você e sua mãe têm dúvidas sobre a autenticidade, faz sentido entrar com uma ação na justiça - o tribunal solicitará uma perícia grafológica e analisará o caso em detalhes.