A maioria dos miúdos que trabalham em casa desde cedo (principalmente em áreas criativas) têm mesmo essa tendência de ficar isolados, porque o conforto da rotina em casa acaba sendo mais atrativo que o esforço de sair. Dito isto, aos 16 anos há uma diferença importante entre ser mais caseiro e estar realmente preso a padrões de isolamento que o incomodam. Vale a pena perguntar diretamente: ele não quer sair porque prefere ficar onde está (legítimo), ou porque tem medo ou ansiedade quando pensa em sair? A resposta muda muito o cenário.
Se ele disser que evita atividades sociais por ansiedade, desconforto físico ou porque acredita que não vai dar certo, aí sim faz sentido procurar um psicólogo. Não precisa ser diagnóstico dramático no início; às vezes é só alguém externo, sem ser o pai a "pressionar", a ajudar a perceber padrões. Mas se o miúdo está genuinamente feliz, produtivo com o trabalho e apenas não sente necessidade de sair, talvez o problema seja mais teu do que dele (e tudo bem dizer isto).
Nesse meio tempo, tira a pressão das "obrigações sociais". Em vez de "tens de ir à praia", tenta algo menor e específico: "vou ao café amanhã de tarde, quer vir?" sem transformar em drama se disser que não. Às vezes o adolescente isolado sente-se julgado e isto afasta ainda mais. Se continuar a rejeitar tudo completamente durante meses, ou se notares mudanças no humor, apetite ou sono, aí é conversa com um profissional sem mais delongas.