não contes com a dashcam como prova mágica em tribunal - há muita gente que acha que basta ter gravação para ganhar um processo, e depois leva uma desilusão. o contexto importa muito: se a câmera tiver hora e data, se o vídeo for claro mesmo, se não houver interrupções suspeitas na gravação... tudo isso pesa. e aqui está a parte chata: a privacidade dos outros condutores é um terreno pantanoso em Portugal. tecnicamente não há lei que te proíba de gravar na via pública, mas também não há lei que te autorize explicitamente a usar isso contra terceiros sem consentimento deles.
na prática, muitos tribunais aceitam dashcam como elemento de prova complementar, mas não como prova exclusiva. tens de ter mais coisas: testemunhas, fotos da cena, relatório da polícia se foi chamada. e quanto a filmar outros carros ou motos sem aviso prévio, a realidade é que ninguém anda com placas a dizer "atenção, estou a ser filmado" - a lei assume que na estrada temos privacidade reduzida, mas há limites. se a câmera dentro do teu carro te grava a ti e apanha acidentalmente outros automóveis numa colisão, isso é aceitável; se estivesses a filmar intencionalmente o interior de outro carro ou pessoas fora do contexto de segurança, aí já é mais duvidoso.
a verdade que ninguém diz é que a maioria dos juízes não vai descartar uma gravação de dashcam só porque existe, mas também não vai dar-lhe o peso de ouro. usa-a como complemento, guarda prints da hora, da data, da velocidade se a câmera mostrar. e se tiveres um embate, avisa a polícia e deixa-os documentar - isso vale muito mais do que o vídeo sozinho.